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{       Entre as tantas coisas que a gente vai aprendendo e desaprendendo com a vida, uma delas foi saber que existe momentos exatos para admitir as falhas e reconhecer as virtudes – inclusive as minhas – e que a gente nunca deve julgar ninguém e muito menos se julgar melhor, em coisa alguma.
         Conversa vai, conversa vem, semana passada comentei num grupo de amigos e conhecidos que gostaria de tatuar Amó na região das costelas esquerdas e Cuor Agire na região direita, e fui acusada de ser um pouco elitista por não abraçar todo mundo o tempo todo. E mesmo sem ter a mínima obrigação de me justificar, desabafo a minha chateação...
         O fato é que a minha maior virtude é a afeição pelo outrem. Gosto mesmo, ajudo mesmo, cuido mesmo. Nunca foi de outro jeito e eu sempre fui (muito) feliz assim. Porque é de mim, faz parte do que me move na vida, das minhas sentimentalidades. Faz parte de quem eu sou.
         Mas nem todo mundo sabe lidar comigo. Nem todas as pessoas sabem usar o que nelas, mais movimentam minha emoção. Nem todo mundo se incomoda por parecer farpa. E ao longo do caminho, a gente vai aprendendo com um pouco de cada coisa, que toda entrega para ser sadia precisa primeiro não esvaziar ou diminuir.
         Nem todo mundo entende que apesar do meu senso de humanidade, também tenho defeitos, também erro. Também tenho dias difíceis. Que nem sempre é fácil ser simples. Às vezes as pessoas não estão preparadas ou acostumadas a lidar com verdades complexas ou para enfrentar uma situação de caos.
         E eu escolhi viver, ainda que diversas vezes tenho pensado em desistir. Escolhi viver e não aceitar ser o pior de mim mesma. Mesmo quando erro, estou tentando acertar. E se não maltrato, não roubo, procuro não mentir, evito falar mal, não tem nada a ver com ser politicamente correto, e sim porque me importo com as coisas que tem valor para mim. Me importo com as pessoas que eu acredito. Com as coisas e pessoas que as pessoas que eu acredito, acreditam também.
         Consegue perceber? Não acredito que essas coisas sejam de outro mundo, mas sei que para muitos são. Ainda são. Também sei que não vou mudar o mundo sendo assim (mesmo que ele precise dessa reforma), que cabe ao despertar de cada um quanto à forma de perceber e sentir...
         Mas não vou fingir, não há nada que eu detesto mais do que lidar com aquele tipo de pessoa que enxerga a felicidade alheia como se estivesse através de uma vitrine, pensando que lhes cairia bem melhor, porque o vazio dessas pessoas é insaciável (diferente de incurável) e agrediria a minha existência guardar o que não me pertence no meu jardim.
E é verdade, não sei amar direito, mas o pouco que sei, se eu puder ensino. Se sentir, distribuo. Se eu sentir. Não me culpo por dizer quando preciso e tenho forças para fazê-lo. Porque os meus amores – família, namorado e amigos – tem muito de mim, da mesma forma que para onde vou, levo muito deles. Também levo muito do que Deus me permitiu levar da vida.
Divido o que é meu, com os meus. Porque eles cultivam em mim as sementes que neles plantei, e vice e versa - é um ciclo que também recebe o vento das estações, mas que não tem espaço para vendaval. Se eu desejo e faço o bem, é em razão de eu acreditar com toda força do mundo que a gente é resultado daquilo cultivamos continuamente por dentro de nós e dos outros.

Quando é movido por amor, felicidade é estado de espírito.             }


Priscila Izzo.

*Amó, em Tupi-Guarani, o outro, o outrem. 
*Cuor Agire, do latim, agir com o coração.

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