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por @priscilaizzo
{           Cumulado de cansaços anteriores, de anos anteriores, dois mil e dezesseis foi um ano que eu queria que acabasse. Foi um ano que, apesar de ter sido lindo, inteiro e azul na maior parte do tempo, deixou estampado em mim o auge do meu esgotamento - emocional, físico e mental – com relação às pessoas.
Foi um ano que me fez pensar muito sobre mim mesma, sobre o quanto, às vezes, nossas ações acontecem desalinhadas das nossas intenções. Sobre que tipo de pessoa eu sou, tive e tenho na minha vida. Sobre lembranças, marcas e cicatrizes. Sobre o tanto que a gente trabalha para alcançar determinados sonhos e muitas vezes quando se dá conta, está num caminho totalmente diferente. Sobre os erros. Sobre que tipo de pessoa quero ser.
Foi um ano em que decidi me calar quando a coisa mais bonita que eu tinha para dizer em determinados momentos era um simples e forte foda-se. Que senti uma preguiça imensa de gente coxinha, de gente egoísta, de quem sofre de personalidade demais, de céu demais enquanto faz inferno demais. De gente que se faz de mais legal do mundo o tempo todo. Que deixei para trás quem eu acreditei mesmo que estaria na minha vida em todos ou na maioria dos momentos. Vi quem eu amo deixar para trás quem acreditou mesmo que estaria em sua vida em todos ou na maioria dos momentos.
Foi um ano em que assisti um nascimento com muita felicidade e amor, e também que recebi uma triste e dilacerante noticia junto com quem perdeu uma das pessoas mais importantes da sua vida. Que vi minha mãe chorar por algo que ela jamais teria dito ou feito, mas levou a culpa em nome de (in)verdades alheias. Que revivi um medo de infância minutos antes de a cirurgia começar. Que engordei mais de vinte kg por causa de um problema de saúde e despertei mais interesse nas pessoas em descobrir se eu estava grávida do que se já havia melhorado. Que senti as crises de ansiedade apertar tanto a ponto de eu ter que me fazer de offline só para conseguir continuar respirando sem sentir o peito rasgar um pouco mais cada vez que o coração batesse.
Foi um ano em que muitas portas se fecharam. Que continuei pobre, porém feliz, ainda que seja ilógico para muitas realidades. Que tive que pensar em diversas formas de desistir de muita coisa. Que tive que decidir ou aceitar diversas outras coisas que eu queria ou não ter que. Que venho tentando desacelerar. Que eu não perdi ninguém que já não tivesse me perdido antes. Foi um ano que me deixou exausta inclusive no dia do meu aniversário. Mas que graças a Deus esteve bem longe de ser o pior da minha vida.
Graças a Deus tudo que tinha que dar certo deu. Graças a Deus aprendi muita coisa, descobri muita coisa, vivi muita coisa... que nem nas minhas imaginações malucas teria acontecido. Graças a Deus tenho e recebo amor. Graças a Deus perdi mais de dez kg daqueles que somei involuntariamente. Graças a Deus, Ele me livrou de muita gente e livrou muita gente do meu tédio, preguiça e asperezas. Graças a Deus Ele livrou as pessoas que amo, pelo menos um pouquinho, de terem passado pelo pior ano da vida delas. Foi um ano que valeu a pena por tudo que foi bom, mas ainda bem que acabou. Graças a Deus dois mil e dezesseis foi um ano que ficou para trás.
E não vou criar expectativas para esse ano apesar de acreditar que ele será mais colorido. Apesar de ainda ter um pouco de fé e esperança na humanidade. Pra esse ano ímpar tenho um tanto de sonho pra realizar e muito trabalho a fazer antes de me despedir, e ao contrario do que muita gente espera, muita vontade de que as coisas deem certo. Antes do saco acabar. Graças a Deus todo mundo que tinha que ficar está bem aqui (nos dois sentidos).                       }

Priscila Izzo.

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