- V i c t ó r i a _
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| { Thalía Victória } |
{ Você é até de longe a coisa mais
bonita que já vi na vida. Desde a primeira vez, vestida de amarelinho, dormindo
naquele carrinho na sala, tão tranquila com seus cílios enormes. Lembro que
suas mãos eram tão pequenininhas e seus dedinhos tão compridinhos... Parecia
uma boneca. E dentro de mim, naquele momento, todas as emoções mais fortes e
mais bonitas se misturaram.
Foi amor à primeira vista. Embora já tivesse começado meses antes
da sua chegada. Já era amor e se tornou ainda mais. Pelo som da sua risada,
pelos passos, pelo seu sorriso, e até pelo seu chorinho inacreditavelmente
meigo. Também foi amor a primeiro colo. Primeira mamadeira, primeira papinha,
primeiro tanta coisa...
E não, não foi amor à primeira – memorável – troca de fraldas. Nem
a primeira pirraça, nem a primeira preguiça e etc. Mas assim como todas as
coisas da vida foi amor às descobertas, aprendizagens e ensinamentos que nos
trouxeram até aqui. Até entender que quando você fica bronqueada aparece
manchinhas vermelhas no seu rosto, e diz pode
ser ao invés de sim e tanto faz
ao invés de não. Que dificilmente você diz não pra alguém. Que seus olhos ficam
mais verdes quando você está feliz, e mais acastanhado quando algo não vai tão
bem.
No fundo a gente nunca saiu da fase das descobertas e às vezes a
gente também passa pela fase das decepções. Quem nunca?! Inclusive você e eu,
eu e você. Nem sempre é fácil. E às vezes ainda choro por lembrar daquele dia
em que tentei incessantemente que você aceitasse uma tiara nova, extremamente
parecida com aquela sua já velhinha e desbotada, e na minha falta de paciência,
quebrei a mais antiga. Você chorou doído... Não tem noção do quanto aquilo me
despedaçou. Me ensinou muita coisa. Mas eu teria feito tudo para voltar no
tempo...
Ainda faria. Pra viver mais uma vez aquele dia que coloquei minhas
florzinhas no seu cabelo e você sorria pra mim. Pra viver mais uma vez a troca
do choro pela gargalhada quando eu dancei
com você na primeira batalha. Pra viver mais uma vez aquele dia da feira
cultural que você me deu um conjuntinho de brincos e anel de dia das mães. Pra
te ver dançando feliz com o papai na sua formatura do pré (sem chorar por
lembrar da vez que eu fiquei esperando sozinha até ele chegar). Pra te ver
emocionada ao me abraçar no meu casamento, pra te ver feliz por ter pego o sapo.
São tantas coisas, tantas lembranças, e tanto sentimento que não consigo
não me emocionar. Choro! Sinto. Não sei
e nunca saberei dizer em palavras nem um por cento dessa imensidão, que fica
expressa em tudo que é nosso. Ainda que nem sempre você entenda que amor se
manifesta em tudo de mais bonito que existe, e também em conselhos chatos,
broncas em erros que se desviaram dos acertos e nas chineladas (que você nunca
levou); mas que você perceba que é esse amor que nos torna melhores pra nós
mesmos e pra todo mundo que a gente ama (ainda que seja chato agora para ser
melhor depois).
Amanhã você já vai fazer dezoito, e ainda não sei e nunca saberei dizer em palavras nem um por cento dessa
imensidão; e nem preciso. Quem consegue explicar os infinitos que cabem num
abraço?! Você sabe que, nesse sentido, mesmo que não caibamos num modelo de
família tradicional, nós florescemos, graças a Deus e também a vó Marlene. Mas hoje eu só quero que você saiba sem
esquecer dentro do seu coração, que foi quando você chegou que eu comecei a
viver. Por você. E para sempre, enquanto eu viver. Mesmo que continue cabendo duas (ou mais) florzinhas no meu vestido e só uma no seu, engraçadinha - quero dizer, minha nuvenzinha. }
Com amor, para minha sempre pequena.
Priscila Izzo.



